É comum que, nas aparições recentes de Nossa Senhora, sejam feitos apelos para a confissão mensal, quinzenal ou mesmo semanal. Na revista portuguesa Cruzada Eucarística, foi publicada uma interessante "pergunta com resposta" a respeito da confissão freqüente, que reproduzimos aqui.
Numa reunião foi dito que não deveríamos andar a maçar (chatear) os sacerdotes com a confissão freqüente; bastava confessar-se quando houvesse pecado mortal.
Resposta: A Santa Igreja recomenda a confissão freqüente, mesmo só de pecados veniais. João Paulo II tem várias vezes relembrado estas palavras do seu predecessor Pio XII:
«Para progredir mais rapidamente no caminho da virtude recomendamos vivamente a piedosa prática introduzida na Igreja, sob a inspiração do Espírito Santo, da confissão freqüente, que aumenta o conhecimento próprio, desenvolve a humildade cristã, desarraiga os maus costumes, combate a negligência e tibieza, purifica a consciência, fortifica a vontade, presta-se à direção espiritual e, por virtude do mesmo sacramento, aumenta a graça. Portanto, aqueles que entre o clero jovem fazem perder a estima da confissão freqüente, saibam que fazem uma coisa contrária ao espírito de Cristo e funestíssima ao Corpo Místico do Salvador» (Enc. Mystici Corporis Christi).
Diz o mesmo Papa na Encíclica Mediator Dei, sobre a Liturgia: «Porque as opiniões por alguns manifestadas acerca do uso freqüente da confissão são totalmente alheias ao espírito de Cristo e da sua Esposa imaculada, e realmente funestas à vida espiritual, recordamos o que escrevemos, não sem dor, na Encíclica Mystici Corporis».
É esta a doutrina do Concílio Vaticano II (P.O. n.18) e da Instrução Eucharisticum Mysterium (n. 35).
As novas normas sobre a confissão dos religiosos dizem: «Tenham em grande apreço o uso freqüente (do Sacramento da Penitência) que aumenta o exato conhecimento próprio, desenvolve a humildade cristã e que, além de proporcionar salutar direção espiritual, produz aumento de graça... Procurem aproximar-se (da confissão) com freqüência, isto é, a cada 15 dias... Os Superiores promovam esta freqüência e providenciem para que (os seus súditos) possam fazê-lo duas vezes por mês e até com maior freqüência».
Recomenda-lhes o novo Código do Direito Canônico: «Insistam os religiosos na conversão da alma a Deus; exami-nem todos os dias a sua consciência e aproximem-se com freqüência do Sacramento da Penitência» (Cânon 664).
Meditem todos os sacerdotes nestas palavras da Santa Sé tiradas das Normas Pastorais sobre a absolvição Sacramental geral:
«Pelo que se refere à prática da Confissão freqüente, ou por devoção, não se permitam os sacerdotes dissuadir dela os fiéis. Procurem, pelo contrário, recomendar os seus frutos abundantes para a vida cristã (Cf. Encíclica Mystici Corporis, A.S.S. 35 (1943), 235) e mostrem-se sempre prontos para a ouvir, todas as vezes que isso lhes seja pedido, razoavelmente, pelos fiéis. Deve-se evitar absolutamente que a confissão individual seja reservada só para os pecados graves; isso, na verdade, privaria os fiéis do grande fruto da mesma confissão, bem como prejudicaria a boa fama daqueles que se aproximam individualmente do Sacramento».
E a Instrução «Sacramentum Paenitentiae» publicada pela Santa Sé a 16 de junho de 1972:
«Não se atrevam os sacerdotes a desaconselhar aos fiéis à confissão freqüente ou de devoção. Pelo contrário lembrem-lhes os seus abundantes frutos para a vida cristã e mostrem-se prontos a ouvi-las sempre que os fiéis justificadamente a pedirem. Evite-se absolutamente reservar a confissão só para os pecados graves, já que assim os fiéis seriam privados do excelente fruto da confissão e prejudicaria a fama dos que se acercassem individualmente deste sacramento».
Nossa Senhora pôs como uma das condições necessárias para ganhar as graças dos Primeiros Sábados a confissão mensal, com espírito reparador.
O santo padre Cruz repetia pouco antes de morrer: «Todo o meu bem se deve à freqüência dos sacramentos. Comecei em Coimbra e continuei no Seminário de Santarém. Há perto de 70 anos tenho o hábito da confissão semanal».
O Papa João XXIII escreveu no seu Diário, a 11 de agosto de 1961, aos 80 anos de idade: «Durante toda a minha vida fui sempre fiel à confissão semanal».
Os Papas, por exemplo Paulo VI e João Paulo I, confessavam-se todas as sextas-feiras.
Por que é que a Igreja deseja que nos confessemos com freqüência?
- Porque todos temos pecados. Escreve o apóstolo São João (1Jo 1,8-10): «Se dissermos que não temos pecado algum, enganamo-nos a nós próprios, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele (Deus) é tão fiel e justo, que nos perdoa os pecados e nos purifica de toda a iniqüidade. Se dissermos que não temos pecado, fazemo-lo (a Deus) mentiroso e a sua palavra não está em nós», porque desmentiríamos a Deus que disse, na Sagrada Escritura, que nenhum homem está isento de pecado (Jo 15,14-16; Prov 20,9; Rom 3,4-12; Tg 3,2).
Com a confissão acontece o mesmo que com a vista. Quem é cego não vê nada; quem tem a vista estragada vê pouco; quem tem a vista apurada vê muito. Do mesmo modo, quem tem consciência grosseira ou cega não descobre faltas ou poucas vê. Quem tem consciência, como são as almas santas, encontra sempre imperfeições. - Mesmo que não tivessem pecados desde a última confissão, tinham os pecados passados. Estes, ainda que já perdoados, recebem novo perdão e desconto das penas por eles merecidas.
- A confissão não só perdoa os pecados, mas também dá força para os evitar. Quem se confessa com freqüência, cai menos vezes.
- Lembrem-se ainda os frutos da confissão enumerados por Pio XII: conhecimento próprio, humildade, pureza de consciência, força de vontade, direção espiritual e sobretudo aumento de graça.
Por conseguinte: o cristão fervoroso deveria confessar-se com freqüência, por exemplo de 15 em 15 dias ou todos os meses.
Em conclusão: está no erro e ensina o erro quem desvia os fiéis da confissão freqüente, mesmo só de pecados veniais.
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